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Moda e Beleza

by Cláudia Gusmão

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Como lidar com a perda de alguém que se ama

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 Olá meninas! Primeiro que tudo quero desejar a todas vocês uma boa Páscoa! A Páscoa é a celebração da ressurreição e por isso achei que seria a altura ideal para fazer um post sobre a perda de alguém que se ama.  Eu tentei fazer este post em vídeo, mas a verdade é que não o consigo fazer sem chorar e portanto achei que seria melhor escrever.

 Há dois anos perdi o meu pai. O meu pai era a minha versão no masculino e obviamente uma das pessoas que mais amo(ava) no mundo. Quando soube que ele tinha cancro nunca pensei que o ía perder, acreditei até ao fim que era uma batalha possível de ganhar. O meu pai era um médico exemplar, sempre disponível e preocupado com os doentes, sempre a trabalhar horas a fio na profissão que escolheu por querer ajudar os outros. Não era justo, depois de salvar tantas vidas e ajudar tantos doentes, morrer para uma doença destas. Isto eram os pensamentos na minha cabeça. Mas aconteceu. Vi o meu pai sofrer tanto na luta contra o cancro, sem nunca se queixar, sem nunca deixar de acreditar e sempre, mas sempre, com um sorriso para mim. No dia em que ligaram do hospital para informar que o fim tinha chegado...eu achei que era também o meu fim. Eu não conseguia acreditar, não parava de tremer, as lágrimas corriam pelo meu rosto e era tão difícil respirar que eu nem uma palavra conseguia dizer. Já me tinham avisado que ía acontecer mais cedo ou mais tarde, mas nunca estamos preparados! Não houve nunca medo maior que eu tivesse do que perder quem mais amo e quando somos enfrentados pela perda e pelo nosso maior medo...não há explicação! E custa tanto perder o pai quando ainda somos tão novos e quando eles próprios são tão novos.

 Mas a vida continua. Quando me diziam isto nos primeiros dias os meus pensamentos eram apenas "Continua? Mas continua para onde?". Eu percebo o que toda a gente queria dizer, mas na altura não era esse o pensamento que ocupava a minha mente. Por outro lado havia quem me dissesse que tinha sido melhor, porque ele estava a sofrer muito. Mas isso não me confortava. Eu não queria que o meu pai sofresse, mas também não o queria perder. E houve ainda muita gente que me disse que eu tinha que ser forte para ajudar a minha mãe, porque ela tinha perdido o marido. Eu tinha perdido o meu pai. Eu sentia-me perdida! E ao mesmo tempo não queria que a minha mãe se fosse abaixo, porque eu amo-a com todas as minhas forças. Precisávamos uma da outra. Confesso que na altura tive que vestir uma armadura e levar tudo em frente. E à noite chorava na minha cama. Honestamente uma pessoa nem pode sofrer, nem pode ter tempo para cair em si. Há mil e uma coisas com prazos para tratar entre funeral, bancos, herdeiros, enfim! Passados alguns dias o sentimento é como se a pessoa tivesse ido numa longa viagem. Temos saudades dela porque há muito tempo que não a vemos. Só que depois o dia do regresso nunca chega. A saudade aumenta e aumenta e aumenta a cada dia que passa. E ainda hoje continua a aumentar. Toda a gente diz que o tempo cura tudo, mas o tempo não cura a saudade. Com o tempo aprendemos a viver com uma nova realidade mas a saudade nunca se apaga.

 Na altura tive de encontrar forma de lidar com a tristeza, a raiva, a saudade. Não pude ser muito rígida comigo própria porque honestamente estava desfeita em pedaços e o mais importante era ter a certeza que não deixava o barco ir ao fundo. Levei um dia de cada vez. Decidi que nesse semestre não ía fazer as disciplinas todas porque precisava de tempo para mim e não aguentava a pressão de tantas disciplinas (que muitas vezes já é difícil de aguentar por si só), mas ao mesmo tempo não quis deixar de ir às aulas porque era algo que sempre me mantinha distraída e me dava mais uma razão para me levantar da cama diariamente. Apoiei-me muito nas pessoas que sempre estiveram disponíveis para mim, os meus amigos, o meu namorado, a minha família. E cada pessoa que nos rodeia também está a lidar com a perda à sua maneira... eu perdi o pai, a minha mãe perdeu o companheiro de uma vida, o meu padrinho perdeu o irmão, os meus primos perderam o padrinho, muitas pessoas perderam um amigo, enfim! Cada pessoa tem a sua forma de fazer o luto e de lidar com a perda. Há pessoas que preferem estar sozinhas no seu canto e outras pessoas preferem sair de casa e tentar viver cada dia como se fosse o último. Nesta altura temos que respeitar a vontade de cada um e a nossa própria vontade, fazer aquilo que nos fizer sentir melhor. E nunca se esqueçam que, apesar de vocês estarem a passar por algo horrível, as pessoas que nos apoiam continuam a ter os seus problemas e também elas estão a tentar lidar com a situação e a tentar perceber como ajudar. Uma coisa que tenho que confessar que ao início foi muito difícil para mim foi falar com as pessoas, que muitas vezes eu não conhecia. Nós vivemos numa cidade relativamente pequena e visto que o meu pai era médico, havia muita gente que o conhecia. Nos primeiros meses quase todos os dias encontrava alguém (e ainda hoje por vezes acontece) que me vinha dizer o quanto sentia a falta dele, o quanto gostava dele, etc. No início sentia uma tristeza enorme cada vez que encontrava alguém e só tinha vontade de chorar. Hoje quando isso acontece sinto uma saudade enorme mas fico feliz ao lembrar o quanto as pessoas gostavam dele. Lá está, o tempo ensina a lidar com as situações.

 É muito importante perceber que não estamos sozinhos. Quando se passa por um sofrimento destes é importante não ter medo de pedir o conforto ou o carinho de alguém. Um amigo, um namorado, um familiar, um psicólogo ou até um grupo de apoio. É essencial não deixar que o sofrimento nos leve ao fundo. É verdade, a vida continua. As pessoas tinham razão. Dia após dia temos que regressar à nossa rotina normal, à medida que formos conseguindo. Como disse, acho essencial retomarem o ritmo à medida que se sentirem preparadas e fazerem aquilo que vos faz sentir bem. A minha mãe não gosta de ir passear ao jardim porque fica triste ao pensar nos passeios com o meu pai. Eu gosto de passear no jardim porque me oferece essas recordações. E para mim as recordações são tesouros para a vida.

 Ainda hoje nem todos os dias são fáceis. Há dias em que acordo e estou triste porque só penso que não tenho o meu pai para me abraçar, me dar força, me levar ao altar um dia. Há dias em que acordo e estou genuinamente feliz. Nem todos os dias serão bons e nem todos os dias serão maus. É nestas alturas que temos que dar um desconto, também faz falta vivermos a tristeza às vezes. A vida nunca mais vai voltar a ser a mesma porque aquela pessoa já não está connosco, mas vai haver uma vida diferente que vamos construir dia após dia. Se estiverem a passar pela perda de alguém, só quero que se lembrem que não estão sozinhos, há sempre gente com quem podem falar, e que a vida ainda vai trazer muitas felicidades. Vão ter sempre um anjinho no céu a olhar por vocês!

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Cláudia, estudante de dia e blogger de noite! Bem-vinda(o) ao meu cantinho!

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